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sábado, 3 de agosto de 2013

"Todos eles querem ter uma vida normal, em paz", diz general brasileiro sobre conflito no Congo

General 

ONU diz que solução de conflito no Congo depende de acção regional

A solução do conflito na República Democrática do Congo (RDCongo) depende de uma acção regional para combater os grupos armados, afirmou hoje à agência Lusa o general brasileiro que comanda a missão militar da ONU no país.

ONU diz que solução de conflito no Congo depende de acção regional

"Não é possível resolver o problema se não houver uma colaboração de todos os vizinhos. E existem mecanismos políticos discutindo essa colaboração para não permitir a atuação dos grupos armados que transitam de um lado para o outro", disse Carlos Alberto dos Santos Cruz à Lusa, por telefone.
O general realçou que o conflito na RDCongo não é restrito ao país, e envolve toda a região dos Grandes Lagos, incluindo Uganda, Ruanda, Burundi e Sudão do Sul, já que tanto rebeldes como refugiados de diferentes etnias cruzam as fronteiras. O êxodo também ocorre entre o Congo e a República Centro Africana, afirmou.
"Todos os atores são essenciais, tanto o governo congolês como o dos países vizinhos. Não há um mais importante do que o outro", acrescentou.
Segundo Cruz, a solução do conflito requer uma presença governamental nas regiões mais afetadas, uma melhor eficácia das ações de governo e a acomodação política de alguns grupos. A população do país, afirmou, "está cansada de tantos conflitos".
O conflito na RDCongo deixou 2,3 milhões de deslocados internos, segundo a ONU, e nos últimos dez anos causou a morte de 4 milhões de pessoas.
O general Santos Cruz comanda os cerca de 20 mil soldados internacionais da missão de estabilização da ONU no país. O contingente, que atualmente opera com dois terços de sua capacidade, irá receber um novo batalhão, do Malaui, até o fim do mês. As tropas de Angola e Moçambique não participam da missão.
"Nossa primeira tarefa é a proteção dos civis", disse o general. Os soldados, entretanto, também possuem a função de treinar as tropas congolesas.
Atualmente, o maior contingente dos soldados da ONU estão no leste do país, a região mais afetada. Em Goma, por exemplo, cidade que o general considera estratégica, há um programa de desmobilização para desarmar grupos rebeldes.
"Goma tem uma situação especial nesse conflito. Trabalhamos para não ter grupos armados em volta da cidade; para que fiquem, no mínimo, afastados", afirmou.
Questionado sobre a suposta atuação de hutus como mercenários, Cruz afirmou que há interesses políticos nas acusações feitas de um lado a outro. "Existem grupos armados, problemas étnicos, mas existe muita exploração política", disse.
"Tenho uma percepção pessoal, de que todos eles querem ter uma vida normal, em paz, e isso está faltando no Congo há muito tempo", acrescentou. (Lusa)

NOTÍCIAS AO MINUTO/ SoS Família Militar

Dois militares do Exército morrem em acidente no RS

Acidente mata dois militares e uma mulher no Vale do Sinos
Dois carros colidiram frontalmente na ERS 239, em Novo Hamburgo

Foto: Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Os mortos na colisão entre dois carros na ERS 239 em Novo Hamburgo, Vale do Sinos, são três jovens: dois militares do Exército e uma mulher. Bianca Pavão Oliveira, 19 anos; Felipe Amaral Korsack, 19 anos, (soldado); e Roberto Pereira Mendes, 20 anos (cabo) estavam no Uno, com placas de Sapiranga, que coldicou contra outro Uno, com placas de Campo Bom.
Outras cinco pessoas que estavam no Uno de Sapiranga ficaram feridas: Stefani Dias,18 anos; Tairá Pavão Oliveira, 18 anos; Mateus Moraes, 20 anos; Gabriela Prestes, 24 anos; e Henrique Miguel Lerner, 64 anos. Também se machucou o motorista do Uno de Campo Bom. Todos foram levados ao Hospital Municipal de Novo Hamburgo.
Segundo o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), o Uno de Sapiranga teria invadido a pista contrária e colidido frontalmente contra o Uno de Campo Bom. O tráfego foi bloqueado no sentido Novo Hamburgo-Campo Bom e veículos foram desviados pela pista lateral.
Com informações dos repórteres Diego Mandarino e Marcos Koboldt

Correio do Povo/ SoS Família Militar

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

CRISE MILITAR, OU ORÇAMENTO, OU POLÍTICA


Crise Militar, ou Orçamento, ou Política
Nelson Düring
Editor DefesaNet

O anunciado corte de 10 Bilhões no Orçamento Federal,  estava em suspenso, há três semanas com a expectativa de como o bisturi iria atuar.

Tão logo a aeronave do  Papa Francisco decolou do aeroporto do Galeão e nem bem tinha pousado em Fiumicino, o governo anunciou os seus cortes.

O ataque foi devastador  na área de Defesa com um corte de R$ 913 milhões. No ano são 4 Bilhões do orçamento da defesa. O MD diz que salvará os programas: KC-390, Nuclear e o PROSUB. Sobram o Guarani e o SISFRON e o ASTROS 2020.

Na mesma edição do Diário Oficial(30Jul13) as promoções do Almirantado reforçaram a prioridade do PROSUB sobre todos os demais programas da MB, mesmo da quase em extinção Força  de Superfície(ForSup).

De qualquer maneira é a “Sequestration”  in the Brazilian Way.
Com o corte de Maio (3,67 Bi) e o de julho (0,91 Bi) os militares perderam cerca de 25 % da verba prevista para investimento e custeio.

O Objetivo do governo, não declarado é o de ter os militares com as suas reservas baixas, tanto de munição, víveres e combustível.

Lembrar que em 1964 os militares se abasteceram na estrada nos mesmos postos que os civis abasteciam os seus automóveis e caminhões. E os víveres eram doados pela população.

Nortão: operação contra crimes ambientais terá apoio do Exército por mais 30 dias




Fonte: Só Notícias/Weverton Correa

Homens do Exército ficam ainda mais 30 dias dando apoio ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) na Operação Hiléia Pátria, desencadeada em 1º de julho, contra crimes ambientais. O comandante da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada, general de Brigada Carlos Alberto Maas, afirmou, agora há pouco, em entrevista coletiva, que a expectativa inicial, a partir do começo dos trabalhos, é pela permanência de 60 dias, mas destacou este prazo pode ser prorrogado. "Estamos dando apoio logístico ao Ibama na operação de combate aos ilícitos da área ambiental", explicou. O saldo parcial da operação ainda não divulgado pelo instituto.

O sargento afirmou que cerca de 195 homens estão envolvidos na operação. "Estamos com desdobramento de equipes no terreno aqui em Sinop, Marcelândia e Feliz Natal. E temos lá, meio de pessoal, material e equipamentos, para possibilitar o transporte e a guarda temporária de qualquer madeira e material apreendido pelo Ibama", explicou. "Tivemos várias missões, não digo incidentes. Tivemos várias apreensões já conduzidas pelo Ibama e nós fizemos o apoio logístico, o carregamento, transporte e levado para o local de guarda, que está sendo disponibilizado pelas prefeituras no caso de Marcelândia e Feliz Natal", acrescentou.

O comandante da área de apoio logístico, major Flávio Milhomem, afirmou que a escolha de Sinop como base central da operação foi estratégica. "Para permitir que as operações ocorram nos municípios de Marcelândia e Feliz Natal, que são as bases que estão diretamente com o Ibama", disse. "Temos em torno de 50 viaturas para atuar nas três bases. Aqui [em Sinop] estamos ocupando as instalações do tiro de guerra e nos municípios de Marcelândia e Feliz Natal o pelotão tem meios para realizar esse apoio para o Ibama, estão em instalações cedidas pelas prefeituras", explicou.

Além dos trabalhos contra os crimes ambientais, ainda são desenvolvidas Ações Cívico-Sociais, que consistem em atividades de atendimento médico, odontológico, entre outros, destinados principalmente às famílias carentes.

COMO EQUIPAR? BLINDADOS SOBRE RODAS OU LAGARTAS? O DILEMA VIVIDO PELO EXÉRCITO BRASILEIRO





COBERTURA ESPECIAL - Aço - Leopard 1A5Br - Terrestre
Brasília 

Tenete-Coronel Marcelo Carvalho Ribeiro


Carros de Combate Leopard1A5 adquiridos pelo Exército Brasileiro em 2009
I. INTRODUÇÃO
Os conflitos ocorridos durante o primeiro quartil do século XXI demontraram que as forças blindadas continuam sendo a espinha dorsal dos exércitos mais poderosos do mundo. Do Mali ao Iraque, da Chchênia ao Afeganistão, os exércitos não deixaram de utilizar pesados meios blindados que, após imporem ao oponente uma derrota militar, passaram a empregar forças leves e médias, dotadas de blindados sobre rodas, contra grupos de insurgentes. Isso sem prescindir de reserva blindada, em menor ou maior escala, dependendo da situação, que estivesse pronta para intervir em caso de necessidade.
O Exército Brasileiro(EB), ao pensar o seu "como organizar", vive um dilema com relação às suas forças mecanizadas, em particular quanto ao número e natureza das forças que constituirão as Brigadas de Cavalaria Mecanizadas (Bda C Mec). Estas foram originalmente pensadas para um cenário estratégico completamente distinto do atual. Em função destas mudanças, suas missöes estão sendo revistas. Surge, portanto, o questionamento: como equipá-la? E, como centro destas discussöes, uma pergunta gera divergências de opiniöes entre os profissionais militares: a brigada deve ser equipada com blindados sobre lagartas ou sobre rodas?
Por ser a única unidade dotada de blindados sobre lagartas nas Bda C Mec, os Regimentos de Cavalaria Blindados (RCB) acabam sendo o pivô destas discussöes. A Bda C Mec possui atualmente, como peças de manobra, dois regimentos de cavalaria mecanizados (blindados sobre rodas) e um RCB cada. Este é composto por duas subunidades de carros de combates e duas subunidades de fuzileiros e seus apoios (blindados sobre lagartas).
Os RCB deixaram de receber os Carros de Combate Leopard1A5 adquiridos pelo Exército Brasileiro em 2009. O Comando do Exército optou, em 2011, por dotar os RCB das Bda C Mec do Comando Militar do Sul com os antigos Leopard1A1 belgas e o 20º RCB, do Comando Militar do Oeste, com os antigos M60 americanos, dando um claro sinal de que estudaria o destino dos RCB e das Bda C Mec com mais cautela. O momento de uma decisão se aproxima, e as discussöes em torno do tema vão crescendo de importância. O fato é que o como equipar os RCB leva a uma reflexão sobre a essência do problema: a estrutura da Bda C Mec é atual? Ou deve ser modificada em função dos novos horizontes estratégicos? É o que pretende abordar o presente artigo.

II. DESENVOLVIMENTO

a. Reestruturação das Forças Blindadas: uma realidade mundial
O término da Guerra Fria levou os exércitos do mindo a repensar suas Forças Blindadas. Estas, tradicionalmente divididas em leve, média e pesada, fizeram uma transição nas duas últimas décadas, com expressiva redução de seu número. Em prol de maior mobilidade estratégica, e visando a redução de custos logísticos para sua manutenção e transporte, tem-se optado, em geral, por forças aptas as missões de todo o espectro dos conflitos: das ações desencadeadas em missões de paz estável até as operações militares desencadeadas em situação de guerra, passando pelas etapas intermediárias da escalada da crise, as chamadas “Operações no Amplo Espectro”.
Com isso, os exércitos verificaram a necessidade da organização de forças de combate flexíveis nos níveis táticos (Bda, Btl/Rgt, SU) que atendessem à demanda de operações em amplo espectro. Assim, surgiram tropas que, primordialmente, irão atuar com composição mista ou seja, tropas blindadas sobre lagartas e sobre rodas em conjunto.
Um breve estudo das opções adotadas pelos exércitos mais próximos do estado da arte na atualidade permite concluir que os armamentos buscados para equipar suas tropas seguem alguns critérios essenciais, a saber:
- Modularidade: capacidade para prover os exércitos dos meios necessários no mais curto prazo, de acordo com as necessidades da operação em curso;
- Mobilidade: envolve a capacidade de atingir determinados parâmetros em termos de deslocamento estratégico e mobilidade em operações;
- Flexibilidade: implica possuir versatilidade, de modo a permitir a atuação fluida nos distintos tipos de operações, em distintos cenários e
- Interoperabilidade: capacidade de interagir com distintos tipos de forças, organizações e materiais que as equipam.
Dada a necessidade das operações no amplo espectro, tem-se buscado, de maneira geral, constituir forças de natureza MISTA,ou seja, tropas blindadas sobre lagartas e sobre rodas em conjunto, até o escalão mais elementar. Em suma, os exércitos vem buscando organizar forças de combate flexíveis nos níveis táticos (Bda, Btl/Rgt, SU) que atendam a demanda de operações em amplo espectro, buscando um EQUILÍBRIO entre forças blindadas pesadas, médias e leves. Estas tendências podem ser observadas nos exemplos abaixo:

1) Exército do Reino da Espanha
O exército espanhol adota em sua formação básica, no nível brigada e inferiores, a composição mista de meios blindados (lagarta e roda) facilitando o adestramento e a integração da tropa. Desta forma busca adequar-se as demandas que surgirão no combate moderno podendo responder de maneira mais rápida e oferecendo flexibilidade ao planejamento.

2) Exército da República Francesa
O exército francês possui 4 brigadas mistas e 2 brigadas blindadas. Suas composições flexíveis adaptam-se às várias possibilidades de emprego e podem contar com pelotões de carros de combate dotados de carros de combate Leclerc 2, apoiados por viaturas blindadas leves (VBL), bem como de pelotões de infantaria blindados dotados de Viaturas Blindadas de Combate de Infantaria (VBCI) Renault VAB 6x6.

3) Exército do Canadá
Uma força-tarefa canadense é definida e estrutura como uma força tática baseada em uma companhia de infantaria mecanizada ou um esquadrão de carros de combate com no mínimo um pelotão ou tropa de apoio conforme as necessidades.
Apesar da formação básica ser sobre lagarta ou sobre rodas, sempre que os regimentos de carros atuam são empregados juntamente com a infantaria embarcada em viatura blindada sobre rodas (LAV III).

b. Precisamos de blindados sobre lagartas?
A questão da opção por blindados sobre rodas ou sobre lagartas está intimamente ligada à trafegabilidade do solo onde se vislumbra operar. Obviamente, em terrenos urbanos ou estradas, trafegar com blindados sobre rodas é muito menos custoso, logisticamente falando. É preciso considerar, contudo, que nosso pais, afora nossas matas, na sua maioria impeditivas para o emprego de blindados, possui um elevado índice de terras agricultáveis. Trafegar por elas requer veículos de baixa pressão sobre o solo, sob pena de não operarmos por ele, como nos explica o Coronel Fabio Benvennutti de Castro, em trabalho realizado em 2003, no EME:
[...]As características de menor pressão sobre o solo e melhor mobilidade tática e de maior blindagem e armamento de maior alcance, são requisitos conflitantes, a medida em que maior proteção blindada e canhão de alta pressão significam maior peso e, em conseqüência, maior pressão unitária e menor mobilidade através campo.
Estes requisitos são melhor atendidos por Vtr Bld sobre lagartas, que com um peso de 18 Ton apresentam uma pressão unitária de aproximadamente 0,6 Kg/cm2 enquanto que uma Vtr sobre 8 rodas (8x8), de mesmo peso, tem uma pressão unitária em torno de 2,4 Kg/cm2, seis vezes maior. As Vtr Bld sobre rodas, à medida que são aperfeiçoadas para que apresentem um desempenho em QT próximo das sobre lagartas, se tornam maiscomplexas e sua manutenção mais difícil, não atendendo ao requisito de facilidade de manutenção e elevando o custo operacional.
É inegável que o emprego conjunto de Vtr Bld SR e SL eleva as possibilidades operacionais, particularmente em combates que almejam realizar ações em profundidades. O Exército Brasileiro em função da variedade de cenários em que poderá atuar não pode abrir mão de possuir ambas as plataformas, que são complementares em termos táticos-operacionais. CASTRO(2003).(grifo nosso)
Abrir mão do uso de blindados sobre lagartas em uma grande unidade operacional, portanto, é reconhecer que a mesma não será empregada em um contexto de guerra convencional, ao menos em solo brasileiro, ou então admitir que esta seria reforçada por meios de uma outra brigada blindada para fazê-lo, diminuindo,com isso, o poder de combate das forças disponíveis para um contra-ataque, empregando-se prematuramente estas forças. Fica a pergunta: a que país interessa perder a capacidade de operar em seu próprio território?
Ressalta-se que, historicamente, o Brasil adota uma estratégia defensiva. A não ser que nossa estratégia mude seu foco, não poderemos prescindir de possuir blindados sobre-lagartas, em número adequado para causar um efeito minimamente dissuasivo. A incipiente quantidade de blindados deste tipo que nosso país possui, como demonstrado, apontaria justamente para o lado oposto ao da redução.
A necessidade de se realizar operações de amplo espectro traz a possibilidade, em algum momento, em se atuar decisivamente no ponto de decisão. Adotando-se critérios de FLEXIBILIDADE e de MOBILIDADE, o mix roda-lagarta, em função dos argumentos expressos pelo Cel CASTRO na citação acima, tornam-se determinantes.
Com relação à suposta diferença dos custos de manutenção entre uma viatura sobre rodas e outra sobre lagartas, o quadro vem se alterando. Atualmente, os veículos vem agregando tecnologias mais sofisticadas, refletindo em um aumento de custo de manutenção e de peso. O resultado é que a vantagem das viaturas sobre rodas, no quesito custeio, diminuiu muito, e o aumento de peso aumenta a pressão sobre o solo, reduzindo sua mobilidade tática. Assim sendo, é irrefutável que a mobilidade tática que as viaturas sobre lagarta proporcionam é muito superior ao das viaturas sobre rodas, o que dá mais flexibilidade às operações e possibilita o emprego fora do eixo.
Cabe ressaltar que os CRITÉRIOS adotados para se classificar forças leves, médias e pesadas variam em cada país. Em geral, admite-se como critério para forças médias aquelas cujos subsistemas atinjam no máximo as 32 toneladas. Entretanto, para as Viaturas Blindadas de Combate, admite-se que blindados médios alcancem as 43 toneladas, o que significa dizer que, no EB, não dispomos de forças blindadas pesadas.

c. O Exército Brasileiro - Reestruturação de 2004 e tendências atuais
O Exército Brasileiro (EB) possuía, até o ano de 2004, quatro Brigadas Blindadas (Bda Bld) com sedes em Campinas, Ponta Grossa, Rio de Janeiro e Santa Maria (11º Bda Inf, 5º Bda Inf, 5º Bda Cav e 6ª Bda Inf respectivamente). As brigadas possuíam constituição ternária, ou seja, possuíam três unidades valor batalhão em cada uma. Da mesma maneira, as Organizações Militares (OM) valor batalhão, possuíam três subunidades de manobra.
A partir de então, a Força Terrestre passou por uma reestruturação de suas Bda Bld em acordo com o Plano Básico de estruturação do exército (PBEEX) conforme consta da Portaria nº 126 EME, de 07 DEZ 04 constante do Boletim do Exército (BE) nº 050 do mesmo ano.

“ a. Considerações Gerais referentes ao PBEEX:
1) O PBEEx, no tocante à reorganização e à rearticulação das forças blindadas, prevê as seguintes ações para as GU e Unidades a serem extintas, transferidas, transformadas ou reorganizadas:
a) 5a Bda C Bld será extinta.
b) 5a Bda Inf Bld, após a extinção da 5a Bda C Bld, será transformada, assumindo a
denominação de 5a Bda C Bld.
c) 11a Bda Inf Bld será transformada em 11a Bda Inf L-GLO, transferindo seu material blindado para a 5a Bda C Bld e para a 6a Bda Inf Bld.
d) 6a Bda Inf Bld será reorganizada, recebendo o Centro de Instrução de Blindados e o
1° RCC que serão transferidos para Santa Maria-RS…
...i) 4° BIB será extinto, transferindo suas Cia Fzo Bld da seguinte forma:
- uma para o 13° BIB;
- uma para o 20° BIB; e
- Uma, apenas o material blindado, para ser redistribuído à 5a Bda C Bld e à 6a Bda Inf Bld.
...j) 24° BIB será extinto, transferindo suas Cia Fzo Bld da seguinte forma:
- uma para o 7° BIB;
- uma para o 29° BIB; e
- uma, apenas o material blindado, para ser redistribuído à 5a Bda C Bld e à 6a Bda Inf Bld…
… m) 28° BIB será transformado em 28° BIL, tendo seu material redistribuído para a 5a Bda C Bld e a 6a Bda Inf Bld.
n) 2° RCC será transformado em 13° RCMec, passando seu material blindado para o 4° RCC, e recebendo 3 Esqd C Mec, um do 11° Esqd C Mec( um do 12° RCMec e um do 19° RCMec).
o) 3° RCC será reativado em Ponta Grossa, recebendo os Esqd CC (material blindado) do 2° RCC.”
A partir desta transformação, observa-se que o poder de combate do EB foi reduzido devido a extinção de unidades blindadas. O fato das Bda atuais possuírem estrutura quaternária, em regra, não modificou estas perdas.
Atualmente, discute-se a transformação dos RCB em unidades leves ou médias, dotadas de viaturas sobre rodas. Adotando-se a hipótese de transformação dos RCB em unidades leves, o EB reduziria perigosamente seus meios blindados médios, indo contra uma tendência mundial, conforme demonstrado no quadro 04 (imagem acima):
A redução de forças blindadas médias vai de encontro a todos os critérios adotados pelos países mais modernos. Em geral, a MODULARIDADE, a MOBILIDADE e a FLEXIBILIDADE seriam os critérios mais atingidos. O quadro acima deixa de expor que o EB, comparado a outras forças armadas do mundo, POSSUI POUQUÍSSIMOS MEIOS BLINDADOS. Como exemplo, as Forças Armadas da Alemanha, com efetivo de 80.000 homens, possui quase o dobro de blindados que o EB.

A redução dos RCB ocasionariam uma importante perda de recursos humanos tecnicamente preparados e aptos ao combate de forças blindadas. Ademais, a sua extinção implicaria na restrição do número de OM que quadros especializados poderiam atuar, impactando diretamente as possibilidades de mobilização, em caso de conflito. Neste sentido, a capacidade de oferecer COMBATE CONTINUADO ficaria comprometida, em função da diminuição do corpo técnico necessário para manter forças blindadas em operações.
Se comparamos os dados do EB com o de outros exércitos do mundo, percebemos que a redução do número de blindados no Brasil é indesejável. Basta, para exemplificar, uma simples comparação dos dados expostos no quadro 04 (imagem acima):
Em geral, para se justificar a necessidade de maior MOBILIDADE ESTRATÉGICA, tem-se ignorado a necessidade de MOBILIDADE OPERACIONAL. Neste critério, um blindado sobre lagartas aumenta a FLEXIBILIDADE do comandante tático, permitindo-o operar em ambiente urbano e em AOC com desenvoltura. Basta verificar as operações em ambiente Urbano no Oriente Médio, ou mesmo no Rio de Janeiro, para se concluir a importância do mix lagarta-rodas.

d.O papel dos RCB nas Brigadas de Cavalaria Mecanizadas
Segundo a Concepção estratégica do Exército (CEEx) – SIPLEX 4, as Grandes Unidades (GU) Mecanizadas estão articuladas em áreas estratégicas vocacionadas para a defesa externa e todas integram a Força de Cobertura Estratégica (F Cob Estrt), desde o tempo de paz, ao longo das fronteiras terrestres nos locais passíveis de serem mobiliadas direções estratégicas e táticas de atuação orientadas para dentro do território nacional.
Seu emprego mais característico é serem empregadas como elemento de reconhecimento, segurança e para obter-se, em planejamentos de operações de dimensões amplas, a economia de meios tendo em vista a Área Operacional do Continente (AOC). Para isso, são dotadas de meios que lhes permitem desdobrarem-se por longas frentes do campo de batalha.
Este fato, em especial, nos chama a atenção para que a referida dispersão não resulte em uma oportunidade para o inimigo a derrotar por partes. Estabelecendo-se uma analogia, pode-se observar que no Teatro de Operações Naval, a força naval deve permanecer reunida para concentrar seu poder de combate, sob pena de ser batida por partes por outra força, inclusive, menor, caso esteja dispersa, conforme nos explicita o General CASALES (1997):
“...é uma grande ilusão pensar-se que os famosos ‘caranguejos’ que representam uma Bda C Mec e sua área de responsabilidade, com 100, 200, 300 ou mais quilômetros de frente tenham qualquer possibilidade de êxito no cumprimento de u’a missão defensiva ou ofensiva.
Uma Brigada, qualquer que seja, em mais de 10 Km de frente, é facilmente destruída por outra com meios semelhantes, que atue concentrada, em frente normal, aplicando seu poder de combate no ponto de decisão.
O problema de uma Brigada em grandes espaços terrestres não difere muito de uma Força Tarefa Naval. Se a FTN dispersar seus navios tentando ocupar o mar, será destruída por partes por outra que atuar em conjunto. Se uma Brigada dispersar seus meios tentando ocupar uma frente maior que as de suas possibilidades, dispersando unidades, subunidades e frações, desprezando o apoio mútuo de suas armas combinadas, fatalmente será destruída por outra, até de menor valor, que atue concentrada, aplicando a massa no ponto de decisão.” (CASALES,1997)
Da mesma forma, as Bda C Mec necessitam concentrar poder de combate para serem empregadas no momento e ponto decisivo. A fração que cumpre este papel nas Bda C Mec é o RCB, cuja potência de fogo, ação de choque e, principalmente, por sua alta mobilidade através campo lhe proporciona as capacidades necessárias para apoiar a manobra dessas brigadas.
Assim, a segurança para planejar operações de reconhecimento e segurança em largas frentes e grandes profundidades só é possível graças a presença de uma Bda C Mec dotada de meios blindados, sobre lagarta, capazes de concentrar poder de combate. A falta do RCB, tal como é, implicará na impossibilidade das Bda C Mec cumprirem as suas missões.É provável que no contexto doutrinário que se visualiza, que as Bda Bld tenham seu emprego prematuro em apoio às Bda C Mec decisivamente engajadas.
É necessário que entendamos, na concepção atual, qual será a missão das Bda C Mec, segundo o Projeto de Força do Exército Brasileiro (PROFORÇA):
“As Ffron1são as tropas vocacionadas para emprego inicial na fronteira terrestre,tendo como missão principal a manutenção da inviolabilidade do território nacional. Estão articuladas para tal e integram o SISFRON. Entende-se por inviolabilidade a não-ocorrência de operações militares em território nacional, por forças hostis constituídas. As F Fron terão capacidade de monitoramento, controle e de pronta atuação.”
“g) Na Defesa da Pátria, a F Ter será empregada, mediante acionamento do Ministério da Defesa, em princípio, em operação conjunta com as demais Forças Singulares, da seguinte maneira:
(1) empregar, em princípio, as Ffron para manter a inviolabilidade territorial,podendo antecipar-se a uma agressãoe atuar fora do território nacional, ao mesmo tempo em que se realiza a concentração estratégica das FAE, para ampliar a dissuasão; e
(2) se necessário, neutralizar a ameaça.” (PROFORÇA, pag 17)
As Bda C Mec, em sua constituição atual, portanto, são as Brigadas do EB que mais se adequam à tendência atual do combate moderno. Ressalta-se, contudo, que o mix lagarta-roda precisa ser levado até os escalão unidade e, por que não dizer, até o nível subunidade. As dificuldades logísticas porventura levantadas para que isto ocorra não podem servir de escusa para a transformação, sob o risco de tornar o EB obsoleto. Dilema maior enfrentaram aqueles que transformaram as unidades a cavalo em unidades mecanizadas, em meados da década de 80. O fizeram, ressalta-se, tardiamente, pois a obsolescência foi constatada quando da invasão da Polônia pela Alemanha, em 1939 (46 anos antes).

III. CONCLUSÃO
Com a adoção do PBEEX 2004, o EB adotou medidas que reduziram significativamente a quantidade de organizações militares blindadas sobre lagartas. Em destaque, os fuzileiros blindados que tiveram diminuição de 17,2% em suas capacidades reduzindo de forma comprometedora o poder de combate da Força Terrestre. A transformação dos RCB em tropas leves reduziriam as forças blindadas sobre lagartas do EB, já consideradas diminutas em relação a outras potências, em cerca de 30%.
No cenário atual, verifica-se que ainda há necessidade do emprego de tropas blindadas sobre lagartas já que as mesmas, de forma única, proporcionam flexibilidade tática ao processo decisório e desempenham satisfatoriamente toda a gama de operações em amplo espectro. Neste sentido, atualmente as Bda C Mec são a organizações mais adaptadas às tendências modernas, pois possuem, ainda que no nível OM, o mix lagarta-rodas. Eliminar os RCB, ou transformá-los em unidades leves, seria caminhar num sentido contrário ao modelo adotado por outros exércitos mais modernos.
A mudança dos meios sobre lagarta para sobre rodas não implica em redução de custos de manutenção, nem tampouco em aumento na mobilidade tática. Os dados a respeito foram amplamente explorados ao longo do artigo.
Por fim, a extinção dos RCB comprometerá as missões das Bda C Mec, já que deixarão de contar com uma OM capaz de atuar com poder de combate adequado em um ponto decisivo, caso necessário. No cenário de defesa externa, em AOC, as Bda Bld teriam que ser utilizadas prematuramente, comprometendo o desempenho da Força Terrestre Componente.
O autor: Tenete-Coronel Marcelo Carvalho Ribeiro de Cavalaria do Exército Brasileiro, da turma de 1990 da AMAN, e comanda o Centro de Instrução de Blindados (CI Bld).

STM retoma julgamentos nesta quinta. E a pergunta que não quer calar.

STM retoma julgamentos nesta quinta-feira

STM retoma julgamentos nesta quinta-feira

Tem início nesta quinta-feira (1º), as sessões de julgamentos do Superior Tribunal Militar, após o recesso do Judiciário de julho.
A primeira sessão deste segundo semestre está prevista para começar às 13h30 e deve ser presidida pelo presidente do STM, ministro Raymundo Nonato de Cerqueira Filho.
Mas a Corte não estará completa. Em virtude da aposentadoria do ministro Carlos Alberto, em junho passado, a composição atual conta com 14 ministros. O novo ministro ainda não foi indicado pela presidente Dilma Rousself, dentre os juízes-auditores da Justiça Militar da União.
Para a 53ª Sessão de Julgamento, por ordem e com prioridade, estão previstos o julgamento de um Habeas Corpus, quatro Agravos Regimentais, um Embargo de Declaração, um Recurso em Sentido Estrito e processos remanescentes, como Apelações e Embargos.
As sessões são públicas e realizadas no Plenário da Corte, na sede do Tribunal, em Brasília.

STM/ SoS Família Militar

Folgando na sexta




Opinião

Carlos Alberto Sardenberg

A Marinha chegou a comunicar a seus funcionários que não precisariam mais trabalhar às sextas-feiras. Culpa do superávit primário, explicava o comando em nota distribuída internamente na última segunda. A Esquadra, digamos assim, havia sido atingida pelo corte de gastos necessário para atingir a meta de economia do setor público, o tal superávit primário.

Nos Estados Unidos, os governos - federal, estaduais e municipais - também fecham repartições e mandam funcionários para casa nesses momentos de aperto. Faz sentido: gasta-se menos com luz, água, telefone, ar-condicionado, cafezinho, bandejão, essas coisas. Só que lá nos EUA funcionário em casa não recebe - e no Brasil é proibido cortar salário de servidor público. Logo, a economia seria menor. E a sexta-feira seria mesmo uma bela folga para os funcionários burocráticos e administrativos da Marinha. Fim de semana de três dias, remunerados!

Mas, para azar desses servidores, que já planejavam a folga, a coisa pegou mal. A Marinha distribuiu o comunicado, em e-mail interno, na segunda. Na terça, o documento caiu nas mãos da jornalista Denise Peyró, da CBN, que colocou a matéria no ar. Poucas horas depois, a Marinha distribuía nota à imprensa dizendo que chegara a cogitar de fechar às sextas, mas que desistira da ideia e estudava outras maneiras de economizar.

Ficou evidente a bronca não apenas da Marinha, mas também das outras forças, Exército e Aeronáutica. Essa área, a Defesa, sofreu os maiores cortes, e não é a primeira vez que isso acontece. Em outras tesouradas, outros governos cortaram mais verbas das forças. Ninguém nunca diz claramente, mas todo mundo sabe o pensamento que está por trás disso: o país não está em guerra, sequer tem inimigos...

Não apenas por isso, o fato é que a Defesa brasileira foi ficando para trás. Equipamentos atrasados, quartéis reduzindo expediente para não precisar dar almoço aos soldados, redução de efetivos e por aí foi. Pode parecer estranho, mas faz parte desse processo de deterioração o uso dos jatinhos da FAB por autoridades políticas.

Militares, reservadamente, criticam o sistema. Que a FAB cuide do avião presidencial, tudo bem, mas transformá-la em serviço de aluguel de jatinhos para políticos? - tal é a queixa.

Mas, sabem o que mais? A triste realidade é que oficiais da FAB têm nesse sistema uma oportunidade de acumular horas de voo, sempre limitadas por questões orçamentárias. Avião no chão, navio no porto e tanque no quartel gastam bem menos, não é verdade?

Todo esse episódio revela o atraso não apenas da Defesa, mas do Estado brasileiro. E a absoluta falta de um projeto, sequer a disposição, de reforma. Aqui, os próprios militares têm parcela da responsabilidade, no seu setor.

Há tempos especialistas nacionais e estrangeiros notam que nossas Forças Armadas precisam ter menos gente, menos quartéis (inclusive no Rio), menos repartições, menos soldados e oficiais. E mais equipamentos e muito mais tecnologia. Resumindo: uma Força menor, bem armada, com uma capacidade e movimentação adequada ao tamanho do país e, especialmente, de nossas fronteiras. Mais uma mudança de orientação para que a Força Armada, ao controlar de fato a fronteira e o mar territorial, seja parte essencial no combate ao tráfico de drogas.

Mas não se nota uma pressão da corporação por essas reformas. O pessoal parece acomodado e fica ali tocando a vida. Há, no momento, um programa de compra de armamentos, mas atrasado e de conclusão duvidosa. Há quanto tempo se fala da compra dos tais caças para a Aeronáutica?

Assim para o Estado, para o serviço público. O episódio da Marinha mostrou como foi tudo na base da improvisação. A Fazenda e o Planejamento ficaram semanas discutindo o corte orçamentário. Quando o anunciaram, verifica-se uma coisa frouxa, sem combinação com o resto do governo, sem projetos.

Se for mesmo para cortar, o que é duvidoso, vão ter que improvisar como a Marinha tentou.

Tem muita gente reclamando do serviço público em geral. A reação dos governos tem sido a pior possível. No caso dos médicos, por exemplo, o governo Dilma já está mudando a proposta tão contestada. Parece coisa tão improvisada como a ideia de fechar repartição na sexta-feira.

Obra anunciada

E, por falar nisso, não percam a série do "Valor Econômico", do repórter André Borges, sobre a Ferrovia de Integração Leste-Oeste, iniciada ontem. Em 2010, Lula prometeu inaugurá-la em 30 de julho de 2013, anteontem. Pois a ferrovia não tem sequer um trilho instalado. A Valec, estatal que toca (?) a obra, não consegue comprar os trilhos.